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Amortização SAC ou Price: qual escolher no financiamento (com as contas na mesa)

SAC ou Price? Veja como cada sistema de amortização funciona, um exemplo numérico completo lado a lado, quem se beneficia de cada um e os erros clássicos dessa escolha.

· Leitura de 4 min
Gráfico impresso comparando duas curvas de parcelas sobre uma mesa com calculadora — imagem ilustrativa
Gráfico impresso comparando duas curvas de parcelas sobre uma mesa com calculadora — imagem ilustrativa

Na assinatura do financiamento, depois de meses escolhendo o imóvel, muita gente decide em trinta segundos a pergunta que vale dezenas de milhares de reais: SAC ou Price? O gerente sugere, o comprador assente, e a decisão silenciosa acompanha a família por décadas. Este artigo abre as contas dos dois sistemas — com um exemplo numérico completo — para que a sua escolha dure trinta segundos porque você já sabia a resposta, não porque não sabia a pergunta.

Antes de tudo: o que é "amortizar"

Toda parcela de financiamento tem dois pedaços: juros (o aluguel do dinheiro, calculado sobre o saldo devedor daquele mês) e amortização (a parte que de fato abate a dívida). Os sistemas SAC e Price são apenas duas receitas diferentes de montar esse sanduíche ao longo do tempo.

SAC: amortização constante, parcela decrescente

No Sistema de Amortização Constante, o valor amortizado é igual todos os meses (saldo inicial ÷ número de parcelas). Como os juros são calculados sobre um saldo que cai rápido, a parcela começa mais alta e diminui mês a mês.

  • Dívida cai em linha reta desde o primeiro mês
  • Juros totais menores no fim do contrato
  • Parcela inicial maior — exige mais renda para aprovação

Price: parcela fixa

Na Tabela Price, a parcela nominal é igual do primeiro ao último mês. Para isso, o início é composto quase só de juros e pouquíssima amortização — a dívida cai devagar nos primeiros anos.

  • Parcela inicial menor — cabe em rendas mais apertadas
  • Previsibilidade da prestação
  • Juros totais maiores, porque o saldo devedor demora a cair

(Nos contratos brasileiros, ambos os sistemas ainda recebem a correção do indexador do contrato — TR, IPCA ou taxa fixa — sobre esses valores-base.)

As contas lado a lado

Casal compara simulações de financiamento no computador — imagem ilustrativa

Exemplo hipotético e arredondado, para visualizar a mecânica: financiamento de R$ 400 mil em 30 anos (360 meses), juros de 10% ao ano (~0,8% ao mês), sem correção:

SAC Price
1ª parcela ~R$ 4.300 ~R$ 3.400
Parcela no ano 15 ~R$ 2.700 ~R$ 3.400
Última parcela ~R$ 1.120 ~R$ 3.400
Saldo devedor após 10 anos ~R$ 267 mil ~R$ 355 mil
Total de juros pagos ~R$ 575 mil ~R$ 818 mil

As duas linhas que merecem a sua atenção:

  1. A diferença de juros totais é da ordem de R$ 240 mil — mais da metade do valor financiado — pela simples escolha do sistema.
  2. O saldo devedor após 10 anos: no Price, depois de uma década pagando, quase 90% da dívida ainda está de pé. Se você pretende vender o imóvel ou quitar antecipadamente, essa linha importa muito.

A régua de troca: no SAC, a parcela inicial é cerca de 25–30% mais alta que no Price. É esse "pedágio" inicial que compra a economia enorme lá na frente.

Então o SAC é sempre melhor?

Matematicamente, quase sempre — se a parcela inicial couber com folga. Mas há três situações legítimas para o Price:

  1. Aprovação de renda. O banco limita a parcela a ~30% da renda. Se o SAC não cabe e o Price cabe, o Price é a diferença entre comprar e não comprar. Comprar com Price e amortizar com FGTS a cada 2 anos é uma estratégia real de quem começa apertado.
  2. Renda em crescimento previsível. Início de carreira com progressão clara: a parcela fixa pesa menos a cada ano, e amortizações extras corrigem a rota.
  3. Prioridade de caixa no curto prazo. Quem precisa dos primeiros anos com folga (reforma, mudança, filho chegando) pode preferir pagar pelo alívio — sabendo o preço dele.

O erro clássico é o inverso: escolher Price tendo renda para o SAC, só porque a parcela menor "sobra mais no fim do mês" — e pagar centenas de milhares de reais por essa sobra.

O que olhar além do sistema

  • CET, não taxa. Compare o Custo Efetivo Total entre bancos — seguros e tarifas mudam o jogo, como explicamos no guia completo de financiamento.
  • Indexador do contrato. SAC com TR e Price com IPCA são bichos diferentes: o indexador pode importar mais que o sistema.
  • Simule os dois no mesmo banco e peça a planilha de evolução do saldo — todo banco fornece.
  • Amortizações extras funcionam nos dois sistemas e são o grande atalho: priorize reduzir prazo, não parcela.

Perguntas frequentes

Posso trocar de sistema depois? Diretamente, não — mas a portabilidade para outro banco permite recontratar em outras condições, e amortizações agressivas no Price reduzem na prática a diferença para o SAC.

Existe um terceiro sistema? O SACRE (mistura dos dois) aparece em alguns contratos, mas SAC e Price dominam o mercado.

Para aluguel/investimento, qual faz sentido? Investidores costumam preferir Price: parcela menor maximiza o fluxo de caixa mensal frente ao aluguel recebido — a conta é de rentabilidade, não de custo total.


Exemplo numérico hipotético, apenas ilustrativo da mecânica dos sistemas. As condições reais (taxa, indexador, seguros) variam por banco e por perfil — simule sempre com números vigentes.

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