Amortização SAC ou Price: qual escolher no financiamento (com as contas na mesa)
SAC ou Price? Veja como cada sistema de amortização funciona, um exemplo numérico completo lado a lado, quem se beneficia de cada um e os erros clássicos dessa escolha.

Na assinatura do financiamento, depois de meses escolhendo o imóvel, muita gente decide em trinta segundos a pergunta que vale dezenas de milhares de reais: SAC ou Price? O gerente sugere, o comprador assente, e a decisão silenciosa acompanha a família por décadas. Este artigo abre as contas dos dois sistemas — com um exemplo numérico completo — para que a sua escolha dure trinta segundos porque você já sabia a resposta, não porque não sabia a pergunta.
Antes de tudo: o que é "amortizar"
Toda parcela de financiamento tem dois pedaços: juros (o aluguel do dinheiro, calculado sobre o saldo devedor daquele mês) e amortização (a parte que de fato abate a dívida). Os sistemas SAC e Price são apenas duas receitas diferentes de montar esse sanduíche ao longo do tempo.
SAC: amortização constante, parcela decrescente
No Sistema de Amortização Constante, o valor amortizado é igual todos os meses (saldo inicial ÷ número de parcelas). Como os juros são calculados sobre um saldo que cai rápido, a parcela começa mais alta e diminui mês a mês.
- Dívida cai em linha reta desde o primeiro mês
- Juros totais menores no fim do contrato
- Parcela inicial maior — exige mais renda para aprovação
Price: parcela fixa
Na Tabela Price, a parcela nominal é igual do primeiro ao último mês. Para isso, o início é composto quase só de juros e pouquíssima amortização — a dívida cai devagar nos primeiros anos.
- Parcela inicial menor — cabe em rendas mais apertadas
- Previsibilidade da prestação
- Juros totais maiores, porque o saldo devedor demora a cair
(Nos contratos brasileiros, ambos os sistemas ainda recebem a correção do indexador do contrato — TR, IPCA ou taxa fixa — sobre esses valores-base.)
As contas lado a lado

Exemplo hipotético e arredondado, para visualizar a mecânica: financiamento de R$ 400 mil em 30 anos (360 meses), juros de 10% ao ano (~0,8% ao mês), sem correção:
| SAC | Price | |
|---|---|---|
| 1ª parcela | ~R$ 4.300 | ~R$ 3.400 |
| Parcela no ano 15 | ~R$ 2.700 | ~R$ 3.400 |
| Última parcela | ~R$ 1.120 | ~R$ 3.400 |
| Saldo devedor após 10 anos | ~R$ 267 mil | ~R$ 355 mil |
| Total de juros pagos | ~R$ 575 mil | ~R$ 818 mil |
As duas linhas que merecem a sua atenção:
- A diferença de juros totais é da ordem de R$ 240 mil — mais da metade do valor financiado — pela simples escolha do sistema.
- O saldo devedor após 10 anos: no Price, depois de uma década pagando, quase 90% da dívida ainda está de pé. Se você pretende vender o imóvel ou quitar antecipadamente, essa linha importa muito.
A régua de troca: no SAC, a parcela inicial é cerca de 25–30% mais alta que no Price. É esse "pedágio" inicial que compra a economia enorme lá na frente.
Então o SAC é sempre melhor?
Matematicamente, quase sempre — se a parcela inicial couber com folga. Mas há três situações legítimas para o Price:
- Aprovação de renda. O banco limita a parcela a ~30% da renda. Se o SAC não cabe e o Price cabe, o Price é a diferença entre comprar e não comprar. Comprar com Price e amortizar com FGTS a cada 2 anos é uma estratégia real de quem começa apertado.
- Renda em crescimento previsível. Início de carreira com progressão clara: a parcela fixa pesa menos a cada ano, e amortizações extras corrigem a rota.
- Prioridade de caixa no curto prazo. Quem precisa dos primeiros anos com folga (reforma, mudança, filho chegando) pode preferir pagar pelo alívio — sabendo o preço dele.
O erro clássico é o inverso: escolher Price tendo renda para o SAC, só porque a parcela menor "sobra mais no fim do mês" — e pagar centenas de milhares de reais por essa sobra.
O que olhar além do sistema
- CET, não taxa. Compare o Custo Efetivo Total entre bancos — seguros e tarifas mudam o jogo, como explicamos no guia completo de financiamento.
- Indexador do contrato. SAC com TR e Price com IPCA são bichos diferentes: o indexador pode importar mais que o sistema.
- Simule os dois no mesmo banco e peça a planilha de evolução do saldo — todo banco fornece.
- Amortizações extras funcionam nos dois sistemas e são o grande atalho: priorize reduzir prazo, não parcela.
Perguntas frequentes
Posso trocar de sistema depois? Diretamente, não — mas a portabilidade para outro banco permite recontratar em outras condições, e amortizações agressivas no Price reduzem na prática a diferença para o SAC.
Existe um terceiro sistema? O SACRE (mistura dos dois) aparece em alguns contratos, mas SAC e Price dominam o mercado.
Para aluguel/investimento, qual faz sentido? Investidores costumam preferir Price: parcela menor maximiza o fluxo de caixa mensal frente ao aluguel recebido — a conta é de rentabilidade, não de custo total.
Exemplo numérico hipotético, apenas ilustrativo da mecânica dos sistemas. As condições reais (taxa, indexador, seguros) variam por banco e por perfil — simule sempre com números vigentes.