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Quanto custa realmente comprar um imóvel: ITBI, escritura, registro e as taxas que ninguém te conta

O preço do imóvel é só o começo: ITBI, escritura, registro, taxas de financiamento e mudança somam de 4% a 6% a mais. Veja a conta completa antes de fechar negócio.

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Calculadora, moedas e miniatura de casa sobre planilha de custos da compra de um imóvel
Calculadora, moedas e miniatura de casa sobre planilha de custos da compra de um imóvel

Você negociou o preço, fechou em R$ 500 mil e fez as contas da entrada. Parece que o planejamento está pronto — até descobrir que vai precisar de mais R$ 20 a 30 mil à vista para transformar o negócio em propriedade registrada. ITBI, escritura, registro, taxas bancárias: os "custos de transação" são o capítulo que falta na maioria das conversas sobre compra de imóvel. Este artigo coloca tudo na mesa, com a ordem em que cada conta chega.

A régua rápida: 4% a 6% do valor do imóvel

Antes do detalhe, o resumo que você precisa levar: planeje entre 4% e 6% do valor do imóvel para custos de aquisição, além da entrada. Num imóvel de R$ 500 mil, isso significa reservar de R$ 20 mil a R$ 30 mil. Se a compra for financiada, fique mais perto do teto da faixa; à vista, mais perto do piso.

ITBI: o imposto da transferência

O Imposto de Transmissão de Bens Imóveis é municipal e incide sobre toda transferência onerosa de imóvel. Cada cidade define sua alíquota — em Belo Horizonte, a referência é 3% sobre o valor do negócio ou o valor de referência da prefeitura, o que for maior.

Dois detalhes importantes:

  • A base de cálculo pode ser maior que o preço pago. As prefeituras mantêm valores de referência próprios; se o seu preço foi abaixo dele, o imposto vem pela régua da prefeitura. É possível contestar, mas o caminho comum é pagar pelo valor de referência.
  • Sem ITBI pago, não há registro. O comprovante é exigido pelo cartório — por isso ele chega cedo na sequência de pagamentos.

Escritura pública: o ato da compra

A escritura é o documento lavrado no Cartório de Notas em que vendedor e comprador formalizam o negócio. Os emolumentos (a taxa do cartório) seguem tabela estadual e são progressivos: quanto maior o valor do imóvel, maior o custo — a conta costuma ficar na casa de alguns milhares de reais para imóveis de valor médio.

Exceção que economiza dinheiro: na compra financiada, o contrato de financiamento tem força de escritura pública — você não paga a escritura do cartório de notas, apenas o registro. É uma das poucas vantagens de custo do financiamento.

Primeiro imóvel pelo SFH tem desconto: a lei garante redução de 50% nos emolumentos de escritura e registro para a primeira aquisição residencial financiada pelo Sistema Financeiro de Habitação. Pouca gente pede; cartório nenhum oferece de graça. Peça.

Registro: o ato que te torna dono

Depois da escritura (ou do contrato de financiamento), o documento vai ao Cartório de Registro de Imóveis para ser registrado na matrícula. Como já vimos no checklist de documentação, só o registro transfere a propriedade. Os emolumentos também seguem tabela estadual progressiva, em valores próximos aos da escritura.

Os custos do financiamento

Quem financia soma alguns itens à conta:

  • Taxa de avaliação do imóvel — o banco envia um engenheiro credenciado para avaliar a garantia; o custo fica na casa das centenas de reais a pouco mais de mil.
  • Seguros obrigatórios (MIP e DFI) — não são pagos à vista: vêm embutidos na parcela mensal. Mas compare entre bancos, porque encarecem o Custo Efetivo Total.
  • Tarifas administrativas — algumas instituições cobram tarifas de contratação ou de serviços. Questione cada linha; várias são negociáveis.

Os custos que chegam com as chaves

A régua dos 4–6% cobre a aquisição — mas o primeiro ano de imóvel tem sua própria lista:

  • Condomínio e IPTU proporcionais, que passam a ser seus a partir da posse
  • Mudança e pequenos reparos imediatos
  • Ligações de serviços (energia, água, gás, internet)
  • Em imóvel novo: móveis planejados, iluminação, cortinas — o "custo de habitar" que ninguém inclui na simulação

Uma reserva de 1% a 2% do valor do imóvel para esse primeiro ano evita começar a vida nova no cheque especial.

Simulação completa: imóvel de R$ 500 mil em BH (financiado)

Planejamento financeiro da compra do imóvel: poupança reservada para impostos e taxas de cartório

Item Valor estimado
ITBI (3%) R$ 15.000
Registro do contrato ~R$ 5.000
Taxa de avaliação do banco ~R$ 1.000
Total de aquisição ~R$ 21.000 (4,2%)
Reserva do primeiro ano (1–2%) R$ 5.000–10.000

Valores aproximados para fins de planejamento; emolumentos seguem as tabelas vigentes dos cartórios de Minas Gerais e o ITBI, a legislação municipal de BH. Confirme os números do seu caso antes de fechar.

Perguntas frequentes

Dá para financiar o ITBI e as taxas junto com o imóvel? Alguns bancos permitem incluir custos de aquisição no financiamento, dentro de limites. Ajuda no fluxo de caixa, mas você pagará juros sobre eles por décadas — use apenas se necessário.

Comprar à vista elimina quais custos? Taxa de avaliação e seguros do financiamento somem; a escritura pública passa a ser necessária (no financiamento ela é dispensada). No líquido, a compra à vista fica um pouco mais barata em custos de transação.

O vendedor paga alguma coisa? Por praxe, a comissão do corretor é do vendedor e os custos de ITBI, escritura e registro são do comprador — mas tudo é negociável em contrato.


Conteúdo informativo. Alíquotas e emolumentos mudam por lei — verifique os valores vigentes na prefeitura e nos cartórios antes de decidir.

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